Numéro 2: comptes rendus

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La littérature portugaise contemporaine: le plaisir du partage

Inès de Castro, du personnage au mythe, échos dans la culture portugaise et européenne

Concisão: sétima proposta para este milênio

(Re) Versos

Ver e imaginar o outro: alteridade, desigualdade, violência na literatura brasileira contemporânea

 

 

 

 


 

 

La littérature portugaise contemporaine: le plaisir du partage

 

 

ESTEVES, José Manuel da Costa, La littérature portugaise contemporaine: le plaisir du partage, Paris: L’Harmattan, 2008, 196p.


 

 

José Manuel da Costa Esteves (JMCE) acaba de publicar, nas edições Harmattan, uma obra sobre literatura portuguesa contemporânea: La Littérature portugaise contemporaine – le plaisir du partage, um contributo precioso no seio das escassas publicações nesta matéria, em França.

 

 

Professor de Língua e de Literatura Portuguesa na Universidade de Paris Ouest Nanterre La Défense onde é responsável pela Cátedra Lindley Cintra do Instituto Camões, JMCE é especialista em literatura portuguesa contemporânea e autor de vários estudos sobre esta matéria publicados em revistas da especialidade.

 

A obra que agora publica reúne nove ensaios sobre autores portugueses da segunda metade do século XX: Carlos de Oliveira, Maria Judite de Carvalho, José Terra, Olga Gonçalves, Mário Cláudio e Maria Isabel Barreno; bem como uma entrevista com o escritor Urbano Tavares Rodrigues, e um conto deste autor.

 

Esta entrevista, o último capítulo do livro, apresenta um duplo interesse. Primeiro porque o entrevistado, figura maior da literatura portuguesa contemporânea, ele próprio professor universitário de Literatura, traça um breve panorama da literatura portuguesa pós revolução de 25 de Abril de 1974 até aos nossos dias, uma literatura que o escritor considera simultaneamente marcada pelo regime ditatorial e liberta dele e da censura que o caracterizava. Urbano Tavares Rodrigues aborda assim o universo em que surgiram as obras que José Manuel Esteves escolheu para dar a conhecer ao público francês. Por outro lado, porque os textos que JMCE reuniu nos nove capítulos que precedem a entrevista têm em comum o facto de reflectirem sobre obras marcadas de forma mais ou menos profunda pela situação política e social vivida em Portugal antes da revolução de 1974, obras onde há uma tomada de posição, nalgumas de forma clara, noutras mais metafórica, sobre a pobreza, a decadência ou a falta de liberdade que se vivia no país, durante o regime de Salazar.

 

O primeiro escritor que é objecto de estudo, Carlos de Oliveira, merece do autor uma atenção particular, sendo matéria dos três primeiros capítulos. A obra deste escritor, ancorada na região da Gândara, espaço da sua infância, torna-se, no dizer de JMCE uma metáfora do país. A vida dos habitantes desta região funde-se na paisagem, fazendo-se e desfazendo-se na pobreza e instabilidade do solo e do clima. JMCE sublinha a escrita depurada com que o autor de Casa na Duna reconstitui este universo, transfigurando-o assim em universo ficcional, uma escrita incisiva “como uma lâmina afiada que penetra na carne”(p.14). Refere ainda o trabalho de reescrita a que Carlos de Oliveira procede na procura de rigor, de pureza e perfeição, concluindo serem estas as características que deixam a obra incólume à passagem do tempo, apontando para a intemporalidade. Por outro lado, uma escrita assim depurada aproxima-se da sobriedade e aridez do universo descrito, funcionando no entanto como um elemento vivo, um sopro, uma pulsação - como lhe chama JMCE (p.52) - que emerge do universo de destruição no qual se movem as personagens.

 

Em jeito de complemento ao estudo da obra do escritor, o autor leva-nos por outros caminhos, por outras linguagens, outras estéticas dando-nos a conhecer aberturas possíveis a partir da obra literária. Propõe-nos uma leitura do filme Uma Abelha na Chuva, de Fernando Lopes, uma adaptação cinematográfica da obra homónima de Carlos de Oliveira. O realizador não transpõe a obra, antes procede a uma depuração da diegese, abandonando personagens e episódios secundários o que, segundo JMCE, ao conservar apenas o osso da obra, mais não faz que realçar o seu carácter universal. Ao introduzir no filme sequências estranhas à obra do romancista, o cineasta constrói e desconstrói a obra de Carlos de Oliveira, lê-a e distancia-se dela, transfigura-a e sugere para além dela.

 

O quarto capítulo é dedicado à obra de Maria Judite de Carvalho, escritora que cultivou essencialmente as formas breves da narrativa como a crónica, o conto e a novela e que tem merecido, desde há alguns anos, uma atenção particular e um estudo cuidado da parte de JMCE.

 

Paredes-meias com o rigor e exaustividade de informações sobre traduções, teatralização de textos, trabalhos de investigação de que a obra da escritora foi objecto, publicações de crónicas e contos dispersos por periódicos, indicações sobre a adopção da obra como objecto de estudo nos programas dos concursos de recrutamento de professores, em França (CAPES, Agrégation), decorre a leitura e análise feita por quem é um dos melhores conhecedores do universo de Maria Judite de Carvalho.

 

Uma obra composta de fragmentos do quotidiano de pessoas comuns, oriundas quase sempre da pequena burguesia urbana. Histórias de personagens dilaceradas por conflitos interiores que vivem situações “de exílio, de solidão, de incomunicabilidade extrema” (p.73) e onde o tempo é certamente o grande personagem da obra. JMCE realça a coerência temática que atravessa a obra e faz dela “uma espécie de inventário de situações sem saída” (p.74). Sublinha ainda a omnipresença do tempo psicológico que entremeia com o tempo cronológico, este último irreversível, apesar das tentativas das personagens para o ludibriar, apesar da presença obsessiva da morte, quer física, quer figurada em diversas formas de renúncia.

 

JMCE realça a coerência temática que atravessa a obra da autora, sublinhando-lhe a originalidade e ao mesmo tempo os traços da sua pertença a uma escrita identitária, que ele sintetiza numa frase magistral: “Este olhar melancólico e profundamente desencantado entronca na mais pura tradição literária portuguesa, na qual o peso de um destino irreparável se alia a uma dimensão lírica, marcada pelo canto da solidão, que tende a suspender o curso do tempo cronológico” (p.73-74). Contextualizado o conjunto da obra e enunciadas as suas linhas de força, JMCE faz uma leitura de Tanta Gente Mariana, livro inaugural da obra da escritora composto de uma novela epónima e de sete outros contos.

 

Depois, e tal como já fizera para Carlos de Oliveira, JMCE propõe um olhar e uma abordagem da obra de Maria Judite de Carvalho através do olhar de outro criador, neste caso a escritora brasileira Lygia Fagundes Telles, reflectido na correspondência desta endereçada à autora de Seta Despedida. Aí se fala de admiração e do desejo de reescrita da escrita do outro, apreciações, confissões e dizeres que permitem novos olhares sobre a obra de Maria Judite de Carvalho. Como complemento deste olhar, JMCE refere e comenta o interessante estudo comparativo da obra das duas escritoras, feito por Elza Carrozza.

 

Na análise que faz de Ora esguardae de Olga Gonçalves, JMCE fala de como a autora transforma a palavra colectiva em discurso narrativo, ficcionando assim a verdade dos acontecimentos. Esta obra de Olga Gonçalves constitui um olhar e uma escrita singulares sobre a revolução de Abril de 1974, feito de conversas, de testemunhos e vivências anónimas na cidade de Lisboa. O título é uma interpelação ao leitor que a autora foi buscar a Fernão Lopes, a uma obra também ela sobre o fervilhar desta mesma cidade, aquando da revolução de 1385. O contexto deste momento histórico é dado com rigor em nota de rodapé. JMCE mostra-nos como o sujeito-narrador parte à descoberta da história da cidade, um percurso que se vai tornando também um percurso de memórias, um ir ao encontro de si próprio.

 

Nas páginas dedicadas a José Terra, após referência aos estudos publicados sobre a obra deste poeta, o autor põe em relevo a sua dimensão de tradutor, para depois realçar a importância da sua obra poética no contexto da poesia portuguesa dos anos cinquenta. Um valor a que se acrescenta a sua resistência às correntes artísticas da época, a sua capacidade em recuperar a tradição clássica e em renovar a linguagem poética.

 

No romance Tocata Para Dois Clarins de Mário Cláudio, Maria e António simultaneamente personagens e narradores, recordam um período das suas vidas, que decorre entre 1936 e 1941, compreendendo o noivado, o casamento e o nascimento do filho, período que na história do país corresponde à consolidação do regime de Salazar. Os episódios da vida do casal surgem firmados no contexto histórico nacional e internacional e chegam-nos pela voz de Maria e de António, alternadamente, em capítulos separados, através da memória e da leitura de cada um deles.

 

JMCE conduz o leitor através dos vários capítulos do romance mostrando como, pouco a pouco, de forma magistral, socorrendo-se de uma ironia subtil, o romancista reconstitui a ideologia do Estado Novo, o “Portugal fechado, isolado e folclórico” (p.146) no qual os narradores são simples marionetas.

 

O nome de Maria Isabel Barreno evoca desde logo o famoso livro Novas Cartas Portuguesas que redigiu em colaboração com Maria Velho da Costa e Maria Teresa Horta, obra que lhes valeu um processo em tribunal por parte do regime salazarista, mas também uma notoriedade além fronteiras. Escritora e ensaísta, Maria Isabel Barreno é “uma das vozes mais originais da literatura portuguesa contemporânea” (p. 151). JMCE começa por dar conta, de forma sintética, das temáticas abordadas nas principais obras da escritora para depois se deter em O Círculo Virtuoso, um livro de contos publicado em 1996. Neste breve visitar da obra de Maria Isabel Barreno, JMCE pretende demonstrar que os contos da autora de Contos Analógicos são uma constante procura de resposta à pergunta nunca formulada mas subjacente a todos eles sobre o sentido das coisas insignificantes e triviais e o sentido da vida. Uma escrita que é uma permanente interrogação do real, da realidade das coisas, mostrando-nos o que desconhecemos ou ignoramos. O Círculo Virtuoso é um conjunto de cinco contos insertos numa temática do quotidiano e eivados de uma dimensão humorística onde se retomam histórias, referências e personagens, criando assim, no dizer de JMCE, uma unidade que reenvia para o círculo. O círculo da história que se conta à criança, da história de amor, repetida e ancestral que nos chega de tempos imemoriais num eterno recomeçar.

 

O livro de JMCE é, a vários títulos, uma obra de grande mérito e interesse para os estudos literários. Nele se reflecte sobre a totalidade da obra de cada um dos escritores escolhidos para que o texto, que é objecto de estudo, aí encontre a sua dimensão e importância. Em cada um dos ensaios, o autor traça a biografia e dá conta da bibliografia, dos prémios, traduções ou estudos sobre a obra do escritor em causa. A estas informações, fornecidas em texto prévio ou em nota de rodapé, acresce uma preocupação constante em enriquecer e contextualizar a análise, quer do ponto de vista histórico quer literário. Trata-se de um trabalho de grande originalidade e saber, que permite ao leitor mais ambicioso avançar no caminho da descoberta e do estudo. É assim que, pondo ao dispor do leitor conhecimentos e afectos, fruto de uma vida dedicada ao amor das letras, numa escrita eivada de rigor e de uma enorme sensibilidade, JMCE entende o “prazer da partilha”.

 

Adelaide Cristóvão

Université Paris 8

 

 

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Inès de Castro, du personnage au mythe, échos dans la culture portugaise et européenne

 

 

 

Adelaide CRISTÓVÃO, Carla SOARES JESEL, Idelette MUZART-FONSECA DOS SANTOS, José Manuel da COSTA ESTEVES (organisateurs). Inès de Castro, du personnage au mythe, échos dans la culture portugaise et européenne. Paris : Éditions Lusophone, 2008, 264p.

 

Cet ouvrage rassemble sept communications présentées lors de la journée d’études «Inès de Castro, du personnage au mythe, échos dans la culture portugaise et européenne» qui a eu lieu le 6 mars 2006, à l’Université Paris X – Nanterre. Il inclut également quatre autres textes de spécialistes du thème inèsien.

 

Le choix et l’organisation des onze études révèlent le souci de rendre compte de l’unité et de la cohérence qui existent entre les différentes analyses. Il ne s’agit pas d’une simple compilation de textes mais d’un ouvrage qui prétend améliorer la compréhension et l’étendue du thème d’Inès de Castro, en proposant des fils conducteurs qui lient les différentes approches.

 

En effet, l’ouvrage débute avec une remarquable esquisse, de Maria Leonor Machado, autour de l’évolution et du traitement du thème historique par les différents arts : la littérature, la musique, la danse et la peinture. Ces perspectives de réécriture du thème d’Inès de Castro, auxquelles nous ajoutons celle du cinéma, sont développées dans les articles qui suivent.

 

Le premier art, un des plus prolixes, est celui de la littérature. Le recueil nous offre, à ce propos, un parcours diachronique sur les productions littéraires portugaises –poésie, prose, théâtre - qui ont repris le thème d’Inès de Castro, à travers sept articles.

 

Dans le premier, Anne-Marie Quint se propose de réfléchir sur le contexte historique dans lequel surgit la légende et son étude se base sur les premières versions poétiques de l’histoire d’Inès dans le Cancioneiro Geral de Garcia de Resende. Elle met alors en évidence l’impact du mythe sur d’autres poètes, notamment sur Gil Vicente, Bernardim Ribeiro ou António Ferreira.

 

Progressant dans le temps, Lucila Nogueira réfléchit sur la construction de la légende – l’allégorie de l’amour – dans Les Lusiades. L’auteur souligne le passage du fait historique au mythe. Comme le fait historique n’est pas totalement dévoilé et connu, l’approche des circonstances subit l’influence de la poétisation et de la recréation fictionnelle. Lucila Nogueira montre que Les Lusiades marquent, alors, fortement la trajectoire mythique de ce grand amour contrarié et c’est l’empathie suscitée par l’épisode des Lusiades qui est, ainsi, à l’origine des œuvres crées postérieurement par les auteurs portugais et brésiliens sur le même thème.

 

Ana Maria Ramalhete se penche sur la thématique inèsienne dans la pièce de théâtre Pedro, o Cru d’António Patrício (1913). Elle éclaire en particulier les liens qui unissent le saudosismo et les thèmes développés dans cette pièce de théâtre. L’auteur voit dans l’amour de Pedro et d’Inès une possible représentation littéraire de la saudade, et construit son étude autour du principe suivant : «La rencontre de Pedro avec Inès ne peut se concrétiser que dans le très grand royaume de la Saudade».

 

Maria Ana Ramos et Ilda Mendes dos Santos, dans deux études différentes, réfléchissent sur l’adaptation du motif médiéval de la cuisine cannibalesque – dans ce cas le mythe du cœur mangé – par un écrivain contemporain : Herberto Helder. Dans son recueil Os Passos em Volta, le poème / conte Théorème met en scène D. Pedro et la figure de l’un des assassins d’Inès : Pero Coelho. Dans son analyse, Maria Ana Ramos révèle que le poète semble métamorphoser ce mythe dans une parodie carnavalesque ; pour sa part, Ilda Mendes dos Santos met l’accent sur l’image du banquet, qui devient ici plutôt un banquet de mots et d’images que de chair.

 

A partir de la nouvelle Dom Pedro e Inês de Castro (2004), réécriture récente du mythe par Mário Cláudio, Gilda Santos s’interroge sur les raisons qui poussent les auteurs contemporains à réécrire les classiques. Dans ce conte, la parole est donnée à D. Fernando, dauphin du roi D. Pedro et héritier du trône portugais. L’auteur de cet article conclut qu’il s’agit d’un texte inépuisable et que comme tous les «classiques» il invite à de nombreuses visites et réécritures.

 

Après ce parcours à travers la littérature portugaise, deux articles enrichissent les travaux sur le traitement du thème d’Inès de Castro dans la littérature orale et étrangère.

 

Idelette Muzart-Fonseca dos Santos révèle le croisement possible entre l’histoire d’Inès de Castro et celle de l’apparition du fantôme d’une femme morte en l’absence de son mari – Romance de la Aparición – ou bien encore celle de l’apparition d’une jeune reine morte – Chanson d’Alfonso XII. L’auteur de cette étude souligne les associations thématiques et les procédés de recréation orale qui s’établissent dans la mémoire populaire au cours des siècles entre la défunte aimée et la reine morte.

 

Florence Bellamy étudie, quant à elle, l’une des œuvres les plus connues du public français concernant le thème inèsian – La Reine Morte, d’Henry de Montherland (1942). Elle retrace la quête de Montherland pour arriver à la création de sa pièce de théâtre par la Comédie Française, en misant sur la diversité de ses actualisations.

 

Bien que le traitement du thème d’Inès de Castro par la littérature ne s’épuise pas avec ces études, celles-ci permettent de fixer un cadre diachronique et spatial solide ainsi que des voies d’accès multiples, qui aident le lecteur à mieux comprendre la survivance de cette histoire/ mythe, devenue, de ce fait, intemporelle.

 

Cependant, la réécriture du mythe d’Inès de Castro, nous l’avons dit, ne se circonscrit pas à la littérature. Ce recueil nous le confirme en nous proposant d’autres réflexions liées à d’autres arts qui ont repris le thème.

 

Anne-Marie Pascal examine les variations iconographiques du thème d’Inès de Castro. Des premières représentations mythifiées sur le tombeau d’Inès et de Pedro à Alcobaça, jusqu’au macabre couronnement d’Inès par le peintre Pierre-Charles Comte (1949) qui bouscule nos propres images inèsiennes, Anne-Marie Pascal dresse le panorama des représentations du mythe du Moyen Âge à nos jours.

 

Finalement, Pierre Léglise-Costa se penche sur ce même thème traité par le cinéma et par la musique, notamment par l’opéra, clôturant le cercle des arts qui ont repris ce thème. L’auteur analyse en particulier le film de Leitão de Barros, Inês de Castro (1944), ainsi que l’opéra Inês de Castro de Giuseppe Persiani (1835) et se réfère à des opéras plus récents, tels que l’œuvre de Bernard Stambler (1976) et celle de James MacMillam(1996). Son étude s’organise autour de ce que l’auteur a poétiquement formulé en ces termes : «Il sera, nous espérons, intéressant que l’œil écoute ces autres approches de ce thème fondateur».

 

En annexe, le livre présente deux «bonus» : des extraits adaptés de la pièce O resto é silêncio, par Lidia Martinez - spectacle bilingue, créé à Coimbra en avril 2005, dans le cadre des commémorations des 650 ans de la mort d’Inès de Castro et à la fin de la journée d’études à Paris X - et le poème pour six voix, de Lucila Nogueira, Saudades de Inês de Castro.

 

L’ensemble du livre met ainsi à jour la belle et triste histoire d’amour de D. Pedro et de D. Inès nous rappelant qu’elle est toujours d’actualité. A travers lui, le thème inèsien, abordé par des multiples approches, continue de nous émouvoir, par la poésie, le chant, la musique et l’art visuel. Cet ouvrage nous permet donc d’appréhender, sous une perspective littéraire, historique et iconographique le mythe d’Inès de Castro qui a rayonné du Portugal vers toute l’Europe.

 

 

 

 

Catarina Vaz Warrot

Doctorante Université Paris 8

Lectrice Paris Ouest Nanterre La Défense

 

 


 

 

Concisão: sétima proposta para este milênio

LIMA, Sônia Maria van Dijck. Concisão: sétima proposta para este milênio.
São Paulo: Navegar, 2008.

 

(Texte présenté au lancement du livre au Club des Poètes, à Paris, en novembre 2008)

 

C'est un grand honneur pour moi de pouvoir vous présenter ce soir le tout dernier livre de celle que j'ai pu rencontrer il y a deux ans, lors de son premier séjour à Paris en tant que professeur invité à l'Université Paris X-Nanterre. Même si la connaissance de son parcours professionnel et de son oeuvre - nombreuse et multiforme - avait déjà attiré mon attention, le fait de pouvoir partager avec elle des moments en France et au Brésil m'a donné l'occasion précieuse de mieux connaître la poétesse, la conteuse, le chercheur et l'intellectuelle.

 

Cette capacité de se situer en plusieurs lieux, tantôt du côté des créateurs, tantôt du côté des analystes, capacité donc plurielle et inhabituelle, se justifie par son esprit curieux, attentif, toujours observateur des détails qui passeraient inaperçus dans le paysage et dont la découverte nous parvient soit par la lecture de son oeuvre littéraire, soit dans ces moments où elle nous avoue d'un sourire à la fois malin et enfantin avoir pénétré dans l'intimité des gens communs qu'elle observe sans cesse. Cette curiosité, mêlé d'une passion qui s'exhibe par ses critiques souvent sévères ou dérangeantes dont le but final est la dénonciation ou l'envie de contribuer à un changement ou à une évolution loin de toute utopie, sont les éléments qui forment le chercheur sérieux et méthodique que nous connaissons.

 

C'est en effet avec une perception fine de l'oeuvre de Italo Calvino - Leçons américaines. Six propositions pour le prochain millénaire - appliquée à l'univers de la littérature brésilienne dans son époque la plus polémique et novatrice, c'est-à-dire le modernisme des années 1920, que Sônia Van Dijck Lima propose une catégorie d'analyse littéraire que Calvino n'avait pas formulé mais qui surgit à partir de sa théorie et comme un élément qui l'enrichie.

 

Les propositions de Calvino, proférées lors de ses cours à l'Université de Harvard et publiées après son décès, avant que l'auteur ne puisse accomplir sa théorie, sont les six catégories qu'il a nommées de « légèreté », « rapidité », « exactitude », « visibilité » et « multiplicité ». La consistance, sixième valeur littéraire, n'a pas pu être développée, et ce manque, comme nous le rappelle Sônia Van Dijck, ne pourra désormais être comblé. Elle affirme donc que: « si un théoricien quelconque essaie de rétablir ce concept, ce sera une nouvelle formulation, qui ne pourra jamais traduire la pensée de Calvino, même si elle a pour but de remplir un manque. Donc, une nouvelle proposition m'intéresse ».

 

Sous le spectre des six valeurs établies par Calvino, Sônia Van Dijck analyse la poésie avant-gardiste brésilienne, relevant ainsi ses aspects esthétiques – qui traduisent la quête d'innovation des écrivains et artistes du mouvement moderniste et en même temps constituent des exemples clairs de la pensée de Calvino – et analyse aussi la multitude de thèmes qui s'esquissent dans la discursivité de ces poésies.

 

Méthodiquement, ces catégories ou valeurs sont étudiés dans certains poèmes de Mario de Andrade, de Oswald de Andrade et de Ascenso Ferreira, jusqu'à ce que l'auteur parvienne à la formulation de la nouvelle catégorie. Si Calvino, au moment de la formulation de la valeur qu'il nomme de « rapidité », la théorise comme synonyme de brièveté (un message qui serait transmis par une phrase, une ligne seulement, selon Calvino), Sônia Van Dijck argumente que cette rapidité n’exclut pas l’évocation d'une multiplicité de sens qui se lient à un contexte – voilà le principe de sa contribution à la théorie de Calvino, catégorie qu’elle dénomine de « concision », septième proposition. Je vous laisse - à vous, ses futurs lecteurs - le plaisir de découvrir le développement de cette proposition et de ses implications. L'un de ses fondements, cependant, mérite d'être cité ici:

 

« La concision naît de la réunion de textes divers ou d'une variété d'éléments culturels, qui ne sont ni réécrits ni réélaborés en observance de l'économie de la littérature. La signification du texte (hypertexte) est nouvelle et garde en même temps tous les sens dont elle se nourrit, ce qui lui accorde de la densité. »

 

Ce concept serait-il, pour la littérature, proche de celui d'hétérogénéité montrée et hétérogénéité constitutive conçu par Authier-Revuz dans le domaine de l'Analyse du Discours? Ou encore toucherait-il les Formations Discursives sur lesquelles théorisait Michel Foucault? Puiserait-il quelques principes dans la théorie bakhtinienne de la polyphonie?

 

La réunion même de ses textes fondateurs peut trouver des reflets dans sa formulation, qui se singularise, entre autres, par l'évocation d'éléments culturels et historiques complexes qui traversent en peu de mots, de façon donc concise, les textes littéraires analysés. Autant de questions qui amorcent le débat autour de ce nouveau concept.

 

Finalement, la lecture de Concisão: sétima proposta para este milênio, de Sônia Van Dijck, ouvre au lecteur la possibilité de réfléchir sur les états de la littérature moderne et les valeurs qui la caractérisent, ainsi que lui confère des moments de plaisir esthétique par les analyses remarquables de poèmes modernistes ou contemporains qu'on ne se lasse pas de lire et de réciter.

 

Tel ce poème « concis » de Sérgio de Castro Pinto, cité par Sônia comme le digne héritier des conquêtes modernistes, traduit par Idelette Muzart :

 

 

Génération 60

 

la carte blanche du rhum montilla

n’était pas celle de l’affranchi.

 

le perroquet restait muet.

le cuba libre nous menottait.

 

et dans les fûts de chêne

le temps devenait infâmie.

 

 

 

Bonne lecture!

 

 

 

Ingrid Bueno Peruchi

Université Paris Ouest Nanterre La Défense

EA 369 « Etudes romanes » - CRILUS/

UNICAMP

 

 


 

 

(Re) Versos

LIMA, Sônia Maria van Dijck. (Re) Versos. São Paulo: Navegar, 2008.

 

 

 

L’amie  poète

 

Nous étions collègues, dans le même département de la même université et nous sommes amies, et pourtant j’ai  longtemps ignoré que Sônia van Dijck fut poète.

 

Par la découverte de ses textes - contes et  poèmes - Sônia van Dijck, la poétesse, commença à exister pour moi, comme pour bien d’autres. Ecrits virtuels, association de l’image et du mot, esprit toujours critique – ô combien – et expérimental, Sônia peu à peu construisait une œuvre. Pas encore de quoi remplir un volume de la Pléiade sur papier bible, sans doute. Car Sônia l’écrivain n’est guère prolixe, alors que l’autre, la professeure, la critique littéraire, peut vous parler pendant des heures de ses auteurs préférés ou fourbir longuement des arguments pertinents contre ceux qu’elle n’aime pas.

 

Puis un jour est arrivé ce magnifique petit livre et on m’a mise au défi de le présenter un soir de novembre 2008, au Club des Poètes, à Paris.

 

J’ai d’abord pensé à lire seulement les poèmes, les uns après les autres, me souvenant des mots d’un autre poète, tunisien celui-là, également collègue et ami, Tahar Bekri, selon lequel « Toute parole ne peut remplacer le poème lui-même […] Cela ne veut pas dire que la poésie reste un mystère total, mais elle appartient à l’art. Et comme tout art majeur, elle est au cœur des sentiments humains les plus profonds, appartient à nos émotions les plus fortes. »

J’ai alors assumé ma liberté à présenter ce livre en amie plus qu’en critique, à en lire deux poèmes en français – l’un parce que Sônia l’a écrit en français, l’autre parce que je l’ai traduit – et puis deux autres en portugais, parce qu’ils m’ont semblé impossibles à traduire tant ils étaient intimement mêlés de culture brésilienne et de dictons en langue portugaise, comme si les traduire revenait à les détruire.

 

(Re) Versos, voilà  un titre ambigu à souhait, croisement de mots et de sens : signifie-t-il une Reprise de Vers (déjà écrits), répétition ou insistance, ou bien Encore une fois des Vers,  mais aussi, comme en français d’ailleurs, Revers de la fortune, de la vie, de l’amour, Revers de la médaille, Envers des choses que l’on croit simples, Trame de la vie, en somme.

 

Le livre comprend 37 poèmes concis, parfois à l’extrême. Tel celui-ci, que j’ai traduit :

 

CORPS

Poussière

Où il faudra bien retourner.

Mais,

En attendant…

 

Le tragique s’y grime en pastichant les termes consacrés du rituel religieux et l’humour réintroduit la dimension sensuelle du corps qui est source de vie, de plaisir et de joie, en une nouvelle et rapide illustration de l’éternel Carpe diem.

Poésie de femme, sans doute, dont les mots sont puisés au plus profond d’un corps de femme, pour parler de l’amour, du désir, de la solitude et de l’écriture, mais aussi évocation comme en écho des luttes des femmes pour le droit à l’avortement, « parce que c’est mon corps »!

 

ABORTO

Minha palavra

Esteve prenhe de ti.

Não há mais cantigas

Para menino arteiro.

Me vejo, no espelho,

Vestida de sol,

Senhora de mim.

 

Orgueil de cette affirmation lourde et provocatrice!

Chaque mot  pèse son poids, trop lourd parfois, si personnel, intime et demandant à être expliqué, illustré, comme souffrance et plaisir de la langue dans une autre :

 

PROFIL D’UN MOT

Saudade :

Souvenir d’un goût

D’une odeur d’épices

Et de la chaleur

D’une nuit d’automne.

Saudade :

Mot-océan.

 

 

Le texte du poème apporte son lot de traces, de références à d’autres textes, plus ou moins connus, dans ce grand intertexte de la langue, de la littérature, de la culture brésilienne que le lecteur déchiffrera selon ses capacités, mais on sait qu’il est plus d’un niveau de lecture et que chacun apporte son plaisir.

Le poème est parfois placé sous la « garde » d’un terme savant, d’une catégorie de théorie de la littérature, par exemple, preuve qu’après tout, Sônia poète n’a pas oublié la trame des mots de Sônia chercheur et critique :

 

 

FORMAS SIMPLES

 

Quem tem telhado de vidro

Deixa a pedra no caminho.

 

E se tem rabo de palha,

Jamais prefere o cozido.

 

Nunca se viu o cordeiro

De lobo ser travestido.

 

Depois da tempestade,

Vem mesmo a limpeza da lama.

 

 

Il faudrait encore parler de tel vers qui évoque l’univers poétique de Sérgio Castro Pinto ou de tel autre… arrêtons là ! Il faut vous mettre l’eau à la bouche, certes, mais non pas vous donner à boire la bouteille entière. En attendant de lire ces poèmes ‘sur papier’, allez donc jeter un œil sur le numéro 1 de Plural Pluriel, vous y retrouverez quelques échos de la Sônia poète.

 

 

Idelette Muzart – Fonseca dos Santos

Université Paris Ouest Nanterre La Défense

EA 369 « Études romanes » - CRILUS



 

 


 

 

 

Ver e imaginar o outro : alteridade, desigualdade, violência na literatura brasileira contemporânea, org. Regina Dalcastagné. Vinhedo: Horizonte, 2008.

 

 

 

Quand la littérature s’ouvre aux thèmes considérés en marge, et que la critique analyse le récit nouveau qui s’instaure, nous pouvons légitimement nous questionner : comment l’univers de la violence, les récits des exclus et l’exotisme néoréaliste du regard peuvent-ils être compris comme des parties constitutives du discours narratif brésilien contemporain? La question trouve un début de réponse grâce à dix essais de professeurs et de chercheurs en Littérature brésilienne, publiés dans le livre organisé par Regina Dalcastagnè, Ver e imaginar o outro (Regarder et imaginer l’autre), édité par Horizonte, maison d’édition brésilienne.

 

Le livre est structuré en trois blocs thématiques : le regard, la violence et le discours des exclus.

 

Trois textes sont consacrés à la thématique du regard, et deux d’entre eux sont centrés autour de titres des années 80. Le premier est une étude de Lucia Helena qui part du concept de voyeur baudelairien pour expliquer son analyse des différents regards du narrateur contemporain, dans une société où le recours à l’image est, de plus en plus, exacerbé. Elle parle d’une « fiction sans limites » qu’en effet nous pouvons comprendre et expliquer par une « théorie des genres hybrides », qui serait très utile à une analyse minutieuse de ce genre de récit confessionnel, comme les récits de voyage, les biographies, les journaux intimes, les mémoires et la chronique, où existe une confluence des genres.

 

José Leonardo Tonus, pour évoquer l’actuel sentiment d’inconfort de qui parle d’exotisme dans la littérature contemporaine, analyse Relato de um certo oriente, de Milton Hatoum. Nous  retrouvons dans son texte la question du regard. Le sujet y est bien abordé, quoique son interprétation de l’excès de description - dans une scène où les frères rejettent la narratrice et dans la colère contre la sœur extériorisée au moment du repas -  soit passible d’un ‘autre’ regard. Le critique comprend ainsi  comme expression d’exotisme, chez Hatoum, la description de la gamme de plats libanais, délicatement décrits, et simultanément l’ambiguïté de l’attitude brutale envers la sœur. Il considère cette ambivalence comme une trace d’exotisme.  En partant de la supposition que le lecteur de Hatoum connait déjà tous ces plats, il laisse de côté une analyse de la scène plus originale, semble-t-il. L’ambiguïté ne naît pas d’une banale description, bien au contraire. Que a scène violente se situe au moment du repas lui donne un poids significatif : au sein de la famille libanaise, le repas est un moment d’union, de partage, d’affectivité. Un conflit que commence dans ce contexte doit donc être analysé de « l’intérieur » - la famille, la communauté, la tradition – et non de l’extérieur, la vision exotique. Dans le processus de récupération de la mémoire mis en œuvre, le recours aux saveurs, aux aromes et aux objets constituent un raccourci essentiel et parfaitement intégré au récit de Hatoum. Sans l’utilisation du sensoriel par les narrateurs comme déclencheur de toute une mémoire cachée, la madeleine de Proust serait simplement un petit gâteau.

 

Pour compléter le premier bloc thématique, Angela Maria Dias propose une étude sur la croissante relation entre la Littérature brésilienne contemporaine et la vie dans les grands centres urbains. Elle analyse quatre titres qu’elle classifie comme « récits de la marginalité et de l’exclusion » : Cidade de Deus, Estação Carandiru, Memórias de um sobrevivente et Capão Pecado. Angela nous propose un résumé de l’idée centrale du livre tout entier, avec sa tentative de conceptualisation du regard de l’autre, qui peut se révéler par la cruauté, par l’exotisme et par la mélancolie.

 

Le deuxième bloc thématique présente deux textes sur le thème de la violence. Dans celui dû à Tania Pellegrini,  Cidade de Deus et Estação Carandiru sont analysés encore une fois, mais l’étude se concentre ici  sur la différence entre le récit qui montre la violence, sans aucune distance, et celui qui parvient à se maintenir une distance, sans jugements, ou à l’établir. Karl Erik Schollammer propose, pour sa part, une remarquable réflexion d’ensemble sur l’insertion de la violence dans la production artistique-culturel et littéraire brésilienne. Il y souligne son refus de présenter la violence comme uns composants de l’identité nationale.

 

Le troisième bloc (5 articles) concerne le récit des exclus et débute par l’essai de l’organisatrice, Regina Dalcastagnè, sur les représentations des groupes sociaux non privilégiés par le discours littéraire. Elle parle de « démocratisation de la Littérature » comme une possible solution à cette exclusion. Márcio Seligmann Silva analyse la représentation de la violence dans Memórias de um sobrevivente, de Luiz Alberto Mendes.

 

Les trois derniers textes enfin parlent aussi de littérature de témoignage. Ivete Walty s’occupe des mémoires de Maria de Jesus da Silva, récit de cette marge de la société où les familles, pour manger, fouillent poubelles et décharges. Sonia Roncador analyse les témoignages des femmes de ménage dans le documentaire Domésticas, o filme (Femmes de ménage, le film) comme représentation de la position de la femme et surtout de la domestique dans la société brésilienne. Gislene da Silva évoque deux journaux intimes très particuliers, écrits par deux femmes ayant des problèmes psychiatriques : elle y rétablit le dialogue entre les arts et les maladies mentales que d’autres – les avant-gardes surréaliste et expressionniste – avaient déjà exploré de belle manière.

 

La lecture du l’ouvrage Ver e imaginar o outro évoque, dans son ensemble, une production littéraire contemporaine, au Brésil, où, dans les grands centres urbains, la violence s’est transformée, jour après jour, en thème de publicité et de marketing. Une marchandise comme une autre qui est maintenant arrivée dans les librairies.

 

Le discours du narrateur contemporain est ici considéré comme conséquence de son regard : regard distancé au point d’atteindre à l’exotisme du parfait étranger, regard de celui qui, même intégré au groupe social qu’il décrit, construit son récit avec tant d’exacerbation et d’exploitation de la violence, qu’il fait naître un nouvel exotisme.

 

Si le monde contemporain connaît une saturation médiatique de la représentation de la violence, cette exploitation construit, dans le cas du Brésil, une accentuation de l’impression de réalité, comme si la société brésilienne était totalement immergée dans cette violence. Or les artistes et les écrivains d’autres époques se sont déjà emparés de certains aspects de cette violence – la pauvreté, les maladies mentales – soit pour les dénoncer, soit pour les exalter ou même pour extirper  leurs propres fantômes intérieurs. Ce qui a changé sans doute, c’est l’appropriation du discours : les exclus sont devenus les narrateurs de leur propre histoire. Les textes réunis par Regina Dalcastagnè constituent une remarquable tentative pour comprendre l’insertion de ce nouveau mode de récit contemporain.

 

Son lecteur y gagne un espace de réflexion ouvert à la discussion. C’est un livre qui mérite d’être lu pour participer au débat sur le « Droit à la Littérature », où Antonio Cândido défend la démocratisation de la Littérature, vue comme droit humain, car la Littérature nous humanise et nous rend plus proche de l’autre (voir « O direito à Literatura ». In : Vários escritos. 4a ed. São Paulo/ Rio de Janeiro : Duas Cidades / Ouro sobre Azul, 2004, p. 165 – 191).

 

Rosângela Asche de Paula-Maceira

Université Paris Ouest Nanterre La Défense

EA 369 « Études romanes » - CRILUS