Censura ao teatro amador: a intervenção do Estado na produção artística

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Les résumés des articles - Numéro 2: Le spectacle de l'Histoire

 

 

Resumo:

 

Os processos de censura do Arquivo Miroel Silveira, da Biblioteca da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, demonstram como o Estado cerceou a produção cultural das organizações populares que, por meio do teatro amador, buscavam um espaço de expressão e sociabilidade para as suas trocas culturais. Desde o início do século XX, feroz perseguição se estabeleceu ao movimento operário e às organizações de imigrantes, grandes responsáveis pela presença de grupos amadores de teatro. No período do Governo Vargas e depois nos anos da Ditadura Militar, os órgãos de censura especializam-se para instituir procedimentos competentes de controle das manifestações culturais. As duas Ditaduras, instaladas no país durante o século XX (1937-1945 e de 1964-1985), marcaram profundamente nossa cultura. No primeiro período, instalou-se em paralelo ao fascismo na Europa; no segundo, como parceiro da Guerra Fria entre EUA e URSS. Foram, sobretudo, formas de governo que, por meio do autoritarismo, implantaram, no caso do Brasil, determinado modelo de desenvolvimento industrial e de projeto de Nação. O circuito alternativo de cultura dos trabalhadores dos bairros populares de São Paulo viu-se premido pela nova ordem política e cultural. As peças encenadas, o tipo de organização das entidades, a participação dos trabalhadores e seus familiares, demonstram a lenta transformação da cena cultural, protagonizada, inicialmente, pelas entidades associativas dos imigrantes, trabalhadores e jovens das camadas populares.

 

 

Résumé :

 

Les procès de censure conservés dans les Archives Miroel Silveira, de la Bibliothèque de l’Ecole de Communications et Arts de l’Université de São Paulo, montrent comment l’Etat a contrôlé la production culturelle des organisations populaires qui, par le biais du théâtre amateur, cherchaient à créer un espace d’expression et de sociabilité pour leurs échanges culturels. Depuis le début du XXe siècle, une persécution féroce s’est abattue sur le mouvement ouvrier et les organisations d’immigrants, principaux responsables de la présence de groupes de théâtre amateurs. Sous le Gouvernement Vargas, puis les années de la dictature militaire, les organismes de censure se sont spécialisés afin de créer des procédures de contrôle adéquates aux différentes manifestations culturelles. Les deux dictatures, qui marquèrent l’histoire du Brésil au XXe siècle (de 1937 à 1945 et de 1964 à 1985), ont laissé des traces profondes dans la culture du pays. La première période correspond à la période fasciste en Europe ; la seconde à la Guerre froide entre les Etats-Unis et l’Union Soviétique. Ce furent, dans les deux cas, des formes de gouvernement qui, par le biais de l’autoritarisme, ont implanté au Brésil un certain modèle de développement industriel et de projet de Nation. Le circuit culturel alternatif des travailleurs des quartiers populaires de São Paulo s’est vu écrasé par le nouvel ordre politique et culturel. Les pièces mises en scène, le mode d’organisation des entités, la participation des travailleurs et de leurs familles, démontrent la lente transformation d’une scène culturelle, initialement réservée aux associations d’immigrants, aux travailleurs et aux jeunes des couches populaires.

 

 

 

A propos de l’auteur :

 

Roseli Figaro est Professeur à l’Ecole de Communication et Arts (ECA) de l’Université de São Paulo. Chercheur du Groupe de recherche Arquivo Miroel Silveira, de la Bibliothèque de l’ECA-USP. Auteur (coord.) de Na cena paulista, o teatro amador. Circuito alternativo e popular de cultura (1927-1945), 2008; Relações de Comunicação no mundo do trabalho, 2008; Comunicação e Trabalho. Estudo de Recepção: o mundo do trabalho como mediação da comunicação, 2001.