O humor na obra de Guimarães Rosa
Nilce Sant'Anna Martins
Universidade de São Paulo
Entre os múltiplos aspectos da obra de Guimarães Rosa, destacam-se o épico, o lírico, o dramático, o melancólico, o filosófico, o mágico, o folclórico, o documental, não se podendo deixar de fora o humorístico, bastante sensível em boa parte de suas criações. Em vários passos de sua correspondência com seus tradutores, comenta o escritor a conotação de humor em palavras que emprega [v.g. “estinctado”, “coisa e sousa”, “milmalditas”, “atualmentes”]. E mais desenvolvidamente, o seu interesse pelo humorismo é explicitado nos prefácios de Tutaméia, intitulados “Aletria e hermenêutica” e “Nós, os temulentos”. No primeiro, tece considerações sobre o humour e especialmente sobre a anedota, que diz ser “como um fósforo: riscado, deflagrado, foi-se a serventia.” E conta várias, cujo tipo procura classificar, com muita graça. Entre elas, a do sujeito que procura explicar o telégrafo sem fio:
- Imagine um cachorro basset, tão comprido que a cabeça está no Rio e a ponta do rabo em Minas. Se se belisca a ponta do rabo em Minas, a cabeça,no Rio, pega a latir... — E é isso o telégrafo-sem-fio? — Não isso é o telégrafo com fio. O sem fio é a mesma coisa...mas sem o corpo do cachorro. (T. p.5).
No outro prefácio temos uma saborosa série de piadas de bêbados, em que se trata da sua condição de estar-no-mundo, nas quais o absurdo tem uma certa lógica. Assim: chegando o Chico ao seu quarto,
quis despir-se diante do espelho do armário: — Que!? Um homem aqui, nu pela metade? Sai ou te massacro! E avançando contra o armário, e vendo o outro arremeter também ao seu encontro, assestou-lhe uma sapatada, que rebentou com o espelho nos mil pedaços de praxe. — Desculpe, meu velho. Também quem mandou você não tirar os óculos? — o Chico se arrependeu.
Em Sagarana temos duas admiráveis noveletas que contêm episódios ricos do humor mais divertido: "Traços biográficos de Lalino Salãthiel ou A volta do marido pródigo" e "Corpo fechado"; e mesmo algumas, que não são acentuadamente humorísticas, como "O burrinho pedrês", "Duelo" e "Minha gente", têm os seus passos jocosos e apresentam muitas expressões chistosas ou pitorescas. Na última citada, as manobras políticas do fazendeiro são da melhor comicidade.
Em Corpo de baile e Grande sertão: veredas não se encontram cenas ou episódios que suscitem o riso, mas não faltam recursos expressivos do humor, que quebram um pouco a tensão emocional, despertando um sorriso do leitor. Já em Primeiras estórias e Tutaméia são mais numerosas as composições em que o humor tem maior realce, destacando-se "Famigerado", "Pirlimpsiquice", "Luas-de-mel", "Tarantão meu patrão" , na primeira, e "Desenredo", "Esses Lopes", "Melim-Meloso" e "Orientação", na segunda. É também nessas obras que o ludismo da linguagem se intensifica, o mais das vezes com uma nota gozadora. Ressalte-se ainda como narrativa de lances humorísticos e um pouco mais satíricos "Os chapéus transeuntes", incluída em Estas estórias.
O humorismo rosiano não é do tipo sarcástico, mordaz, corrosivo, impiedoso; é, geralmente, de tom ameno, jovial, bonachão: focaliza o ridículo, o extravagante, o despropositado, o insólito risível, o "estúrdio", (para usar um termo do agrado do escritor), com tolerância, sem a invectiva, a revolta, a indignação, a intenção moralista de castigar os costumes que são predicados da sátira. É um humorismo que se prende mais ao bom-humor, à graça, à espirituosidade do que ao mau-humor, ao azedume, ao rancor. E os personagens por ele visados, na maioria das vezes, provocam mais complacência e simpatia do que repulsa e aversão. Assim, por exemplo, Lalino é um malandro refinado, “esperto como um mico-estrela”, não tem senso moral e vive de suas tretas. Mas vários outros personagens - entre os quais o chefe político- também não são primores morais e se divertem com ele ou até se valem de seus préstimos para suas artimanhas. Um dos encarregados das obras em que no início da estória Lalino ‘trabalhava’, assim o define: “Mulatinho levado! Entendo um assim, por ser diveertido. E não é adulador, mais sei que não é covarde. Agrada a gente, porque é alegre e quer ver todo-o- mundo alegre perto de si. Isso é que é reger o viver.” E a farsa termina bem, com todos satisfeitos e o leitor divertido, rindo de tanta malandragem.
Não pretendendo analisar as situações e os tipos que se podem considerar caracterizados pela comicidade, quero concentrar-me nos meios expressivos da linguagem chistosa, que traduz o o humorismo rosiano.
I. Começando pelo vocabulário, temos as palavras que por si sós parecem engraçadas, curiosas, quer pela constituição fonética ou morfológica do significante, quer pela conotação pejorativa, ridicularizadora, do significado.
1.Vocábulos como “berliquestroques” (T, 105), “burloló” (PE,163), “choldraboldra”, (PE,163), “liqueliques” (T, 109), “nufulhas” (PE, 44), “parapalhas” (PE, 44), “pimpolim” (T, 109), “tribufu” (GSV, 123), “zarandalhas” (PE, 163) que, independentemente do significado, têm o seu teor faceto, sobretudo pela insólita repetição de fonemas e sílabas, não se adequariam a um contexto sério, grave, de intensidade dramática.
2. Outras palavras devem sua particularidade chistosa à estrutura morfológica, a afixos em formação inusitada ou a radicais em composição inédita. São exemplos: “grandeúdo” (GSV, 113), “inteligentudo” (T, 177), “gagaz” (GSV, 448), “zarolhaz” (T, 76), “lorotal” (GSV, 198), “parlapatal” (GSV, 329), “curvabundo” (T, 104), “tentabundo” (T, 104), “despedidosa” (T, 102), “pompososa” (T, 109), “guedelhudado” (T, 91), “homenzarrinho” (T, 49), “fidalgarrão” (EE, 44), “coisinhiquezas” (T, 109), “sozinhidão” (T, 101), “arreglória” (GSV, 64), “desgraçação” (EE, 105), “desdentadurada” (EE, 47), “beobo” (GSV, 293) e muitas outras.
Também os derivados regressivos ou reduzidos podem ajudar o teor jocoso, tais “espalhafo” (EE, 82), “estupefa” (T, 169), “compimpo” (T, 109), “signifa” (T, 36).
Entre os compostos, lembro “joãovagante” (T, 108), “lunático-de-mel” (T, 109), “sempre-encontrável” (S, 169), (pernas) “assimétrico-parentéticas” (EE, 61), “regiportante” (EE, 48) (em vez da expressão comum “com o rei na barriga”) entre outros. A mais consistente exploração lúdica de expressões compostas se encontra neste passo de Sagarana, em que o narrador fala da correspondência telegráfica de um político da zona rural:
E a coisa viera vindo, do estilo dragocrático-mandológico-coativo ao cabalístico-estatístico, daí para o messiânico-palimpséstico-parafrástico, depois para o cozinhativo-compadresco-recordante, e assim de caçarola a tigela, de funil a gargalo, o fino fluido inicial se fizera caldo gordo, mui substancial e eficaz . (S, 207)
São os compostos por aglutinação mais ousada, amálgamas ou montagens, os que apresentam maior jocosidade, sendo neologismos mais originais. É o caso de “abusufruto” (T, 38), “copoanheiro” (T, 102), “desafogaréu” (PE, 12), “embriagatinhar” (T, 104), “migalhufa” (T, 160), “moscamurro” (T, 88), “raivancudo” (T, 88), “tossiturno” (EE, 494) etc.
3. Provocam um efeito de surpresa certas palavras empregadas fora do seu sentido habitual ou em aliança inesperada, o que ocorre, por exemplo, quando Manuel Fulô, do conto "Corpo fechado", diz ter sentido “uma despesa no estômago”, quando percebeu que estava sendo espiado por um cigano (S. 270); ou quando Riobaldo diz “a minha palavra prenhada não foi com ele” (GSV, 360) ou ainda quando descreve o arraial “ilustrado com arcos e cordas de bandeirolas.” (GSV, 173).
Podem enquadrar-se nessa impropriedade semântica termos empregados em seu sentido mais ou menos etimológico, como “explicado” (com o sentido de “estendido”, “prolongado”) e “cândido” (com o sentido de “vestido de branco”), nos seguintes passos: “ele não podia segurar um sono mais explicado, por causa que o parceiro se mexia dormindo e falava enrolado” (S. 230)./ “Também, cândidos, com o Dr. Diretor, os enfermeiros, padioleiros” (PE. 139).
4. A coordenação de expressões de natureza diferente - concretos e abstratos, cultos e vulgares - produz também efeito humorístico, irônico. É o que temos nas frases seguintes:
- Turíbio Todo não ignorava....que....estava, no momento, apenas com a honra ultrajada e uma faquinha de picar fumo e tirar bicho-de-pé. (S, 141)
Eulálio veio a tomar ....o trem....sem bênçãos e sem matalotagem (S, 85).
Não sendo de se atrair com afagos e morangos (PE, 140)
Nunca entendi o bocejo e o pôr-do-sol. (T, 119)
Lindo como um hino ou um ovo (T, 155)
Deu um tonítruo arroto (AP, 59)
5. Termos cultos podem receber uma conotação irônica de pernosticismo, afetação. Nos contos "Pirlimsiquice" e "Darandina" há numerosos exemplos. No primeiro, o Professor estimula os alunos com frases do tipo de: “- Sus! Brio. Obstinemo-nos. Decoro e firmeza. Ad astra per aspera! Sempre dúcteis aos meus ensinamentos.” (PE, 42) No segundo, várias das expressões empoladas são da Medicina. Eis alguns dos termos bombásticos empregados: “acrisolado calor” (PE, 145); “um catatônico hebefrênico” (PE, 147); “meios apocatásticos” (PE, 149), “páramo empíreo” (PE, 137).
O conto "Famigerado" gira em torno da ansiedade de um valentão em saber o significado dessa palavra-título, que um funcionário do Governo usara para se referir a ele, e do apuro do doutor consultado para o desejado esclarecimento. Este precisava achar uma saída que não agravasse a perigosa situação em que se encontrava. Da parte do sertanejo, temos a cômica deturpação do vocábulo que o encafifara: “- Vosmecê me faça a boa obra de querer me ensinar o que é mesmo que é fasmisgerado... faz-me-gerado... falmisgeraldo... familhas-gerado...?” (PE, 11). Da parte do doutor temos a rebusca de uma sinonímia culta e a manipulação semântica para trocar a conotação pejorativa pela meliorativa: “- Famigerado” é “inóxio”, é “célebre”, “notório”, “notável”... (...) - “Famigerado?” Bem. É “importante”, que merece louvor, respeito... (p.12).
II. No vasto elenco de personagens rosianos, de maior ou menor relevo na narrativa, encontramos nomes ou apelidos pitorescos, inusitados, ridículos, que não raro sugerem o tipo do denominado. Se Eulálio é um nome tradicional, distinto (que etimologicamente significa 'o que fala bem'), o hipocorístico Lalino, que provoca associação com “ladino”, já condiz mais com o personagem, mulatinho desinibido, labioso, treteiro; e o sobrenome de Sousa Salãthiel, seu tanto pomposo e incomum, parece próprio a um sujeito de pendor retórico ou teatral. O capiauzinho que fala “talxots” em vez de “caixote, que lhe parece ter 'jeitão plebeu’”, merece nada mais nada menos que o grandioso e irônico nome de Matutino Solferino Roberto da Silva ("São Marcos"). À volubilidade da amada de Jó Joaquim ("Desenredo") corresponde a variação das formas anagramáticas de seu nome: Livíria, Rivília, Irvília e Vilíria, sendo a última bastante significativa, por reunir os vocábulos antitéticos “vil” e “lírio”, com desinência de feminino. Também a personagem do conto "Orientação" tem o seu nome alterado de acordo com a transformação por que passou: de Rita Rola chega a Lola-Lita, mais sugestivo da sua chinesização. E a diabólica protagonista de "Esses Lopes", que com suas artimanhas conseguira dar cabo de quatro maus elementos da família Lopes (um dos quais de nome Sorocabano), reprovava o seu nome de Flausina e gostaria de chamar-se Maria Miss.
Nomes e apelidos como Simão Faço, Seo Sejasmim, Joaoquerque, João Porém, Jimirulino, Zé Voivoda, Liojorge, Dinhinhão, Zé Centeralfe, Doutor Bilolo, Mula Marmela, Retrupé, Timpim (batizado Vinte-e-um), Badu, Mangolô, Gestal da Gaita, Jõe Bexiguento, Fancho Bode, Rasga-em-baixo, Ratapulgo e muitíssimos outros borrifam notas pitorescas pelas narrativas rosianas.
III. Numerosas são também as locuções de tom jocoso, sejam locuções forjadas para substituir adjetivos ou advérbios simples, como “às gagas” (por gago), “às babas” (por babando), sejam locuções da fraseologia popular ou de criação do A. calcadas no modelo popular. Exemplificando: “o papo de Turíbio Todo era pequeno, discreto, não o escandaloso ‘papo de mola, quando anda pede esmola’" (S, 139). Expressões que sugerem rapidez são “o prazo de se capar um gato”; “o tempo de um mijo”. “Caso com tua fala” é um modo expressivo de dizer que se concorda com alguém; “o baralho ainda não bateu na tua porta” é correspondente a “não se intrometa”.
Bastante espirituosas são as frases feitas alteradas, empregadas sobretudo em Primeiras estórias e Tutaméia. É o caso de:
Imaginara-a jamais ter o pé em três estribos (T, 38)
Amava-a com toda a fraqueza de seu coração (T, 21)
De manhã, todos os gatos nítidos nas suas pelagens (PE, 136)
Já valente me levantei, desassustado, achei a tramontana (T, 128)
trás orelha saltando-lhe pulga irritante (T, 21)
e um quebrou o ovo do silêncio (T, 111)
Sou, porém, positivo, um racional, piso o chão a pés e patas (PE, 73)
Entre os provérbios mais pitorescos atribuídos aos sertanejos e que exprimem sua sabedoria e senso de humor, figuram estes:
Quem fala muito, dá bom-dia a cavalo (S, 187)
A cacunda do bobo é o poleiro do esperto (S, 271)
É andando que cachorro acha osso. (S, 60)
Sol de cima é dinheiro (S, 327)
Em Tutaméia, temos outros um pouco mais sofisticados, elaborados pelo A: “As aldeias são a alheia vigilância” (T, 38); “Quem quer viver faz mágica” (T, 38); “Viver é um rasgar-se e remendar-se.” (T, 76)
IV. A imaginação de G.R. se mostra inesgotável na produção de metáforas, comparações, hipérboles e outras figuras, dentre as quais não poucas têm efeito humorístico. As metáforas e comparações mais concretizantes ou prosaicas são geralmente as mais jocosas e quanto mais imprevisíveis e exageradas melhor cumprem sua função:
o Guegue ....de certo repassava, descascava suas idéias (UP, 39)
Me espremi para limonadas (T, 178).
Esse "mudando de conversa", com o Major Anacleto, era tiro e queda: pingava um borrão de indecisão e pronto. (S, 96)
me senti pior de sorte que uma pulga entre dois dedos (GSV, 53)
Pajão cravando-lhe os olhos como dentes (T, 33)
uma senhora de paupérrimas feições, que em ira o mirou, com trinta espetos (T, 101)
Nada diria, hermético feito um coco (T, 84)
feia como os trovões da montanha (T, 82)
Hipérboles expressas por outros meios que não a comparação temos em:
linda eu era até a remirar minha cara na gamela dos porcos, na lavagem (T, 45)
[Tio Laudônio] escuta o capim crescer (S, 97)
Eu podia xingar com os olhos (GSV, 144)
um deus-nos-acuda de arrepiar perucas (PE, 138)
feia de se ter pena de seu espelho (T, 105)
V. Das figuras sintáticas, o pleonasmo é a que tem o maior rendimento humorístico, por reunir ênfase e o sabor próprio do registro popular. Ele pode ocorrer com palavras de um mesmo radical (a), com palavras sinônimas (b) ou com palavras do mesmo campo semântico:
a) “ele umbigava um princípio de barriga barriguda que me criou desejos.” (GSV, 17)
“falou numa voz rachada em duas, voz torta entortada” (GSV, 202)
“Ser chefe - por fora um pouquinho amarga: mas, por dentro, rosinhas flores” (GSV, 66)
Algumas colocações de palavras, no sintagma ou na frase, podem provocar um estranhamento associado a um valor jocoso. Os exemplos seguintes, exceto os três primeiros, foram extraídos do conto "Darandina", de Primeiras estórias:
Eu é que não abro boca minha para dar ordens a esse tralha (S, 97)
O meu em glórias patrão, que saudoso. (PE, 166)
eu mais Sa Maria querida Andreza (PE, 112)
já que com concentrada ou distraída mente me encontrava, a repassar os próprios, íntimos quiproquós, que a matéria da vida são. (PE, 163)
cremos nós outros, que nossos límpidos óculos limpávamos (PE, 136)
também entoavam-se inacionais hinos, contagiando a multaturba. (PE, 147)
Outros recursos de expressão humorística, como paradoxos, torneios de frases, sutilezas irônicas, poderiam ser mencionados para ressaltar a verve de G.R. Para uma simples amostragem, os apresentados devem ser suficientes. Apenas, como fecho, seguem dois retratos ou caricaturas deveras carregados de traços depreciativos:
1- Agora o Manuel Fulô, este, sim! Um sujeito pingadinho, quase menino - "pepino que encorujou desde pequeno" - cara de bobo de fazenda, do segundo tipo -; porque toda fazenda tem o seu bobo, que é, ou um velhote baixote, de barba rala no queixo, ou um eterno rapazola, meio surdo, gago, glabro e alvar. Mas gostava de fechar a cara e roncar voz, todo enfarruscado, para mostrar brabeza, e só por descuido sorria, um sorriso manhoso de dono de hotel. E, em suas feições de caburé insalubre, amigavam-se as marcas do sangue aimoré e do gálico herdado: cabelo preto, corrido, que boi lambeu; dentes de fio em meia-lua; malares pontudos, lobo da orelha aderente; testa curta, fugidia; olhinhos de viés e nariz peba, mongol. (S, 260)
É bem a antítese do herói Joca Ramiro, o par-de-frança, que parecia irradiar luz e a todos seduzia. (GSV)
2. Divulgue-se a Drá: cor de folha seca escura, estafermiça, abexigada, feia feito fritura queimada, ximbé-ximbeva; primeiro sinisga de magra, depois gorda de odre, sempre própria a figura
Como do feio fora-da-lei. Medonha e má; não enganava pela cara. (T, 81)
se vê, o A. criou uma personagem digna de figurar na galeria das antibeldades ao lado da Maritornes, de Cervantes. Se a feíssima empregada de uma estalagem foi tratada por Dom Quixote como uma nobre castelã, a Drá conseguiu inspirar uma forte paixão, e na hora da morte de seu amado, apareceu aos circunstantes como uma mulher radiosa.
Referências bibliográficas:
ROSA, João Guimarães. Sagarana, 8 ed. 1967. (S.)
______________ Noites do sertão, 5 ed. 1976. (NS.)
______________ Manuelzão e Miguilim, 5 ed. 1972
______________ No Urubuquaquá, no Pinhém, 6 ed. 1978
______________ Grande sertão: veredas, 4 ed. 1965. (GSV.)
______________ Primeiras estórias, 3 ed. 1967. (PE.)
______________ Tutaméia (Terceiras estórias), 5 ed. 1979. (T.)
______________ Estas estórias. 1ª ed. 1969.
(Todas as obras são da Livraria José Olympio Editora, Rio de Janeiro)
| Pour citer cet aticle: MARTINS, Nilce Sant'Anna, « O humor na obra de Guimarães Rosa », Plural Pluriel - revue des cultures de langue portugaise, [En ligne] n° 4-5, automne-hiver 2009, URL: www.pluralpluriel.org. |


